Alytes obstetricans
Alytes obstetricans
Anfíbio de pequeno porte e corpo robusto, que geralmente não ultrapassa os 5,5 cm de comprimento.
Ocupa sobretudo habitats terrestres com refúgios húmidos e abrigados, frequentemente em zonas montanhosas ou acidentadas. Pode encontrar-se em:
Bosques, florestas e áreas rurais;
Muros de pedra, taludes, aterros e encostas rochosas;
Pedreiras e antigas explorações de gravilha ou argila;
Campos agrícolas e áreas urbanas;
Margens de charcos, lagoas e cursos de água.
Prefere locais com pedras, fendas e vegetação pouco densa, que proporcionem esconderijos com um microclima quente e húmido. Para a reprodução, utiliza sobretudo massas de água permanentes ou semipermanentes, como charcos, lagoas e cursos de água de corrente fraca. A permanência da água é importante, uma vez que as larvas podem permanecer no meio aquático durante o inverno.
A época reprodutora varia consoante a região e a altitude, podendo decorrer desde o final do inverno até ao verão. Os machos emitem um canto agudo e discreto, sobretudo durante a noite, mas também podem vocalizar a partir dos seus refúgios durante o dia.
Após o acasalamento, o macho fecunda os ovos e enrola os cordões de ovos à volta dos membros posteriores, transportando-os até à eclosão. Durante este período, mantém os ovos húmidos através da escolha de refúgios adequados e de breves entradas na água.
A eclosão ocorre geralmente após 3–6 semanas. O macho procura então uma pequena massa de água onde liberta as larvas. Os girinos podem passar o inverno na água e completar a metamorfose na primavera ou no verão seguintes, atingindo por vezes 5–8 cm antes da metamorfose.
As fêmeas podem produzir várias posturas numa época reprodutora, e um macho pode transportar ovos provenientes de diferentes acasalamentos.
É um predador de pequenos invertebrados, incluindo insetos e outros organismos terrestres ou aquáticos, podendo também consumir presas de maiores dimensões, como minhocas.
Ao contrário de muitos outros anuros, possui uma língua larga, em forma de disco e não protráctil. Captura as presas com recurso às mandíbulas.
Apresenta uma distribuição ampla na Europa Ocidental, ocorrendo em Portugal, Espanha, França, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Alemanha e Suíça. Existem também registos de introdução no Reino Unido.
Na Península Ibérica, ocorre sobretudo nas regiões setentrionais e centrais, podendo ser encontrado desde zonas costeiras até áreas montanhosas de elevada altitude.
Em Portugal, está presente sobretudo no Norte e Centro, incluindo populações tradicionalmente associadas à subespécie Alytes obstetricans boscai. A taxonomia do complexo A. obstetricans tem sido objeto de estudos genéticos, pelo que a delimitação e o estatuto de algumas linhagens e subespécies continuam a exigir investigação.
Portugal: VU (Vulnerável)
Espanha: LC (Pouco Preocupante)
Global: LC (Pouco Preocupante)

As fêmeas são ligeiramente maiores do que os machos. A cabeça é larga e relativamente achatada, os olhos apresentam íris dourada e pupilas verticais em forma de fenda. Os tímpanos são visíveis e as glândulas parótidas são pequenas.
A pele é ligeiramente verrugosa, com coloração dorsal variável, geralmente castanha ou acinzentada, pontilhada de manchas negras, castanhas, verde-azeitona e, por vezes, pequenos pontos alaranjados ou avermelhados. O ventre é esbranquiçado, enquanto a garganta e o peito podem apresentar manchas acinzentadas. Os membros são curtos e robustos.
O nome comum «sapo-parteiro» deriva deste comportamento, que faz lembrar o transporte e acompanhamento de uma postura até ao nascimento das larvas. É um dos exemplos mais conhecidos de cuidado parental entre os anfíbios. O macho transporta os ovos no corpo até à eclosão, protegendo-os e ajudando a evitar a sua desidratação.
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